publicado dia 27 de julho de 2026
Live explora papel dos Territórios Educativos para a formação integral
Reportagem: Tory Helena | Edição: Larissa Alves
publicado dia 27 de julho de 2026
Reportagem: Tory Helena | Edição: Larissa Alves
🗒️Resumo: Qual o papel dos Territórios Educativos para a formação integral? Na live Territórios Educativos em Movimento, a educadora Jacyara Paiva e a gestora pública Adelaide Prata debatem a importância de extrapolar os muros da escola para ampliar as oportunidades educativas apresentadas pela Educação Integral em Tempo Integral.
A Educação não acontece só dentro da escola: é possível aprender em outros espaços, da praça ao museu comunitário, e dialogar com os saberes e a cultura de onde se vive.
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Foco dos Territórios Educativos, essa formação integral ganha força com a expansão das políticas de Educação Integral em Tempo Integral nas escolas, que alia a concepção de Educação Integral à adição de mais horas à jornada escolar.
O Programa Educação e Território é uma iniciativa da Cidade Escola Aprendiz que, por meio de projetos e experiências voltadas à integração entre comunidades, organizações sociais, equipamentos públicos e escolas, apoia a constituição de Territórios Educativos.
O objetivo é oportunizar o desenvolvimento integral dos estudantes a partir da conexão entre escolas, comunidade, organizações sociais e equipamentos públicos, de forma intencional, articulada e com participação ativa dos próprios estudantes.
Na primeira edição da live Territórios Educativos em Movimento, as educadoras Jacyara Paiva e Adelaide Prata compartilham reflexões e experiências com a gestora do programa Educação e Território, Lia Salomão.
A live é apresentada pela editora assistente Larissa Alves.
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Adelaide Prata é secretária de Cultura e Turismo de Maranguape (CE), cujo município desenvolve o projeto CONSIGO — coordenado pelo Ecomuseu de Maranguape — que leva 4,8 mil estudantes a percorrer o território para reconhecer e valorizar patrimônios culturais, ambientais e saberes ancestrais, em parceria com escolas públicas de Educação Integral em Tempo Integral.
Jacyara Silva de Paiva é pedagoga, advogada e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde atua no programa de pós-graduação em Psicologia Institucional. Pesquisadora de Espaços Educativos fora da Escola, Educação Social, Educação Popular, desigualdades sociais, raça e etnia, Jacyara também é sindicalista e ativista do movimento negro.
Lia Salomão é geógrafa e coordenadora do Programa Educação e Território da Cidade Escola Aprendiz, com 17 anos de experiência em projetos voltados ao desenvolvimento territorial e à garantia de direitos.
Realizada pelo Educação e Território, a live Territórios Educativos em Movimento é mensal e busca mobilizar conceitos e discussões fundamentais para a agenda dos Territórios Educativos.
É possível acompanhar a transmissão ao vivo pelo perfil do Instagram do Educação e Território.
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Posteriormente, a live também fica disponível no canal do YouTube e do Spotify:
Assista e conheça os principais trechos da live a seguir.
Jacyara Paiva lembra que, no Brasil, a ideia de Educação ainda está muito restrita à sala de aula. “Educação é sinônimo de escola. Em geral, quando falamos de Educação, remetemos à escola, sem considerar outros espaços educativos possíveis”, afirma a pedagoga e professora da UFES, que iniciou sua trajetória como educadora em espaços fora da escola, na década de 1980.
Na visão da pesquisadora, a Educação fica mais potente quando vai além do espaço escolar e da dimensão intelectual.
“Território Educativo não é só um espaço geográfico, é muito mais do que isso. É um conjunto de relações, de saberes, de memórias, de cultura, de afetos e de experiências. Tudo isso produz Educação, uma vez que produz aprendizagens”, defende Jacyara.
“A Educação não acontece só dentro da escola: acontece nas ruas, nos movimentos sociais, nos coletivos culturais, nas comunidades tradicionais, nos terreiros, nas associações de moradores e em todos os espaços onde as pessoas constroem conhecimentos e formas de existir”, explica a educadora.
Geógrafa de formação, a gestora do Educação e Território, Lia Salomão, define Território Educativo como um lugar de encontro pelo Direito à Educação, que, por sua vez, é indissociável da luta pela equidade.
“[O Território Educativo] convoca diferentes atores e agentes pelo compromisso com o Direito à Educação como forma de entrelaçar e integrar esses diferentes sujeitos que compõem um território”, afirma.

A educadora Jacyara Paiva ressalta as oportunidades levantadas pela ampliação da jornada escolar para no mínimo sete horas diárias, impulsionadas pela expansão da Educação Integral em Tempo Integral nas escolas brasileiras, que hoje já chega a 25% das matrículas.
“Por meio da ampliação do tempo integral, podemos oportunizar e essa convivência com a Cultura, Esporte, Arte e Ciências”, explica.
“Os Territórios Educativos permitem que a cidade se transforme nesse grande espaço de aprendizagem por meio de museus, bibliotecas, centro culturais, coletivos juvenis, grupo de capoeira, escola de samba, terreiro, organizações comunitárias, universidades, tudo isso compor uma grande rede educativa. Se não for assim, não adianta a gente ampliar o tempo dentro da escola”, afirma Jacyara.
Secretária de Cultura de Maranguape (CE), território que abriga também o Ecomuseu de Maranguape, Adelaide Paiva ressalta a importância da intersetorialidade e da conexão entre Educação e Cultura para as escolas de tempo integral.
“Imagine uma rezadeira receber um grupo de alunos na sua casa e contar suas histórias? E um neto levar a avó na escola para ela contar a história? É muita coisa que perpassa, né?”, reflete a gestora pública.
Além disso, ressalta Jacyara, é fundamental que as políticas públicas educacionais lancem um olhar para a equidade e para os estudantes mais vulnerabilizados.
“Essa perspectiva da Educação Integral para os estudantes da classe popular é maravilhosa: amplia o repertório cultural e reduz desigualdades históricas de acesso a bens materiais”, conta.
“Escola em tempo integral não significa só ampliar horário, é muito mais do que isso. É reconhecer principalmente que existe Educação fora dos muros da escola”, afirma Jacyara. Para a educadora, é preciso complementar essas aprendizagens com a educação escolar
“Se não fizer uma grande rede, você pode colocar o menino 24 horas dentro da escola que isso não vai mudar nada na vida dele”, defende.