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publicado dia 5 de maio de 2026

Projeto CONSIGO entrelaça Cultura, Educação e território em Maranguape (CE) 

Reportagem: | Edição: Tory Helena

🗒 Resumo: Em Maranguape (CE), o projeto CONSIGO aproxima Educação, Cultura, território e comunidade. Coordenada pelo Ecomuseu de Maranguape em parceria com escolas públicas de tempo integral e organizações locais, a iniciativa mobiliza mais de 4,8 mil estudantes para reconhecer, registrar e valorizar patrimônios culturais, ambientais e saberes ancestrais do território. 

Imagine uma cidade em que os jovens percorrem o território para conhecer, registrar e compartilhar todas as suas potências culturais e ambientais, mantendo vivos os saberes ancestrais, a identidade local e a natureza. 

É isso que acontece em Maranguape (CE), no semiárido cearense, por meio do Projeto CONSIGO, coordenado pelo Ecomuseu de Maranguape em parceria com escolas públicas de Educação Integral em tempo integral e a comunidade.

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Fundado em 2006, o Ecomuseu de Maranguape foi criado pelo Centro Comunitário de Cachoeira, em parceria com o Comitê Agrícola, a Associação de Moradores Atuantes e a Escola Municipal José de Moura. Juntos, realizam oficinas de patrimônio cultural, artesanato, permacultura, agricultura familiar, além de festejos locais, como a Festa do Feijão Verde e a Farinhada. 

Dentro do museu é possível encontrar fotos, exemplares de espécies e artefatos históricos. Toda curadoria é feita por quem é de lá. Na parte externa, o visitante pode percorrer trilhas e conhecer a história natural do local, sua vegetação, fauna e povo, passando por antigas edificações, paisagens de floresta e semiárido, açudes e serras.

Ecomuseu de Maranguape

Desde 2020, o Centro Comunitário de Cachoeira decidiu ampliar o alcance destas ações e criou o Projeto CONSIGO. Hoje, a iniciativa acontece em 25 escolas públicas de Educação Integral em tempo integral, envolvendo ao menos 4,8 mil estudantes e coordenadores pedagógicos, professores de História e de disciplinas como Educação patrimonial, cultura popular, Artes, entre outros. 

“É a política de Educação Integral sendo implementada gerando articulação de agentes territoriais e ampliação de oportunidades para estudantes”, afirmou Lia Salomão, gestora do programa Educação e Território.

Representantes da iniciativa se reuniram nesta terça-feira, 28 de abril, no encontro virtual “Projeto CONSIGO: Fazedores de cultura e territórios educativos para uma educação integral”, para compartilhar como fazem para entrelaçar Cultura, Educação e outras políticas e ações que contribuem para o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes, e também o de todo o território e da comunidade local. 

Lia retoma o pensamento de Kênia Freitas, pesquisadora e curadora de cinema, para sintetizar o objetivo do projeto: “Há um mapeamento do que está, mas também do que está silenciado há muitos anos […] que é a ancestralidade e a função da terra”, afirmou.

Para Adelaide Prata, Secretária de Cultura de Maranguape, a Política Nacional de Cultura Viva, Lei nº 13.018/14, apoia a atuação intersetorial com a Educação. Isso porque os jovens dos Anos Finais do Ensino Fundamental participam das atividades do Projeto CONSIGO com formações sobre o que são fazedores de cultura e as linguagens culturais e saem pelos territórios para identificá-los e mapeá-los.

Gestores escolares e professores também recebem formação para mediar a aprendizagem e os projetos com os estudantes. “Com essa portaria interministerial entre Educação e Cultura e, sabendo dos nossos desafios, principalmente na questão de baixo aprendizado em Matemática e Língua Portuguesa, a cultura pode ser também um instrumento de aprendizagem”, defende Adelaide. 

“A escola tende a achar que errar é errado, mas errar faz parte do acertar, de aprender, e é algo que a cultura nos mostra”, afirma Márcio Carvalhal

Essa integração também favorece a transformação do que se compreende por Educação e do que é a escola. “A escola tende a achar que errar é errado, mas errar faz parte do acertar, de aprender, e é algo que a cultura nos mostra. Precisa avaliar se o aluno está progredindo na aprendizagem, mas é importante salientar que quando traz para a escola a cultura popular, brinquedos diferentes, histórias que interessam às crianças, a escola pode ser um lugar em que a criança queira ficar”, disse Márcio Carvalhal, educador popular membro da Diretoria Executiva da Associação Brasileira de Ecomuseus e Museus Comunitários (ABREMC).

O professor João Sérgio Fernandes Barbosa concordou: “A integração entre Educação e Cultura é importante porque visa uma formação plena dos estudantes, na perspectiva de unir o currículo às atividades diversas, como a cultura e as expressões artísticas”. 

Para Dalisson Cavalcante, presidente do Centro Comunitário Cachoeira, a parceria de mais de 50 anos com o comitê agrícola é uma das principais fortalezas da iniciativa e celebrou que as crianças e adolescentes os reconheçam como fazedores de cultura. 

O Ecomuseu de Maranguape se aproximou da comunidade e da escola.

Já a professora Regiane Costa compartilhou que o projeto CONSIGO apoia levar os estudantes para fora das salas de aula e aprender no território. E César Neto, coordenador da Escola Municipal José de Moura, contou que viu seus estudantes passarem a se apropriar da cultura local.

“Os agentes jovens têm certo repertório cultural e apresentam com facilidade, transmitem todo o saber de gerações e não deixam essa identidade morrer”, disse César. 

Em 2021, o Projeto CONSIGO venceu o 11º Prêmio Ibermuseus de Educação. E este ano completou 20 anos de existência. “Estamos construindo uma política pública da base”, celebrou Nádia Almeida, que integra a coordenação do Ecomuseu de Maranguape e faz parte da diretoria executiva da ABREMC.

 “É conhecer seu território e ter aprendizagens significativas”, diz Nádia Almeida

Ela reafirmou que a iniciativa possui três pilares: a Educação Cultural, com o reconhecimento intergeracional do patrimônio vivo e da base da identidade comunitária, a economia criativa, com sustentabilidade, geração de renda e valorização de fazedores de cultura locais, e a Educação Integral, que conecta o currículo escolar com os Territórios Educativos.

“A iniciativa pretende produzir essa gestão cultural democrática, sinalizar caminhos de sustentabilidade ambiental e em gestão, e assegurar que novas gerações tenham acesso à herança cultural. É conhecer seu território e ter aprendizagens significativas”, finalizou.

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