Viração – Educomunicação usa formação multimídia para potencializar voz jovem do território
Publicado dia 8 de outubro de 2026
Publicado dia 8 de outubro de 2026
🗒️Resumo: Conheça a Viração – Educomunicação, que há 23 anos atua pela formação de adolescentes e jovens em Cidadania Digital a partir do território.
Uma oficina de Comunicação Comunitária que se potencializou em um curta-metragem sobre Energia, Racismo Ambiental e Justiça Climática. Disponível gratuitamente, o curta Pisca-Pisca foi produzido por jovens sintonizados com as demandas e histórias do seu território, no Amapá, a partir da trilha formativa da Viração – Educomunicação.
“Tive muita curiosidade em conhecer o projeto quando começou, e foi mesmo muito importante para nossa juventude e trouxe muita oportunidade para a gente”, lembra Fernando de Carvalho, hoje com 18 anos.
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O jovem conta que a oportunidade de aprender a vocalizar as demandas do território nasceu a partir do projeto, realizado quando estudava na Escola Municipal Pastor Jaci Torquato, em Ferreira Gomes (AP), e que visava formar jovens comunicadores comunitários.
Em 2023, o grupo desenvolveu dois filmes sobre o aumento da energia e da água, o Pisca-Pisca e O Mundo É Nosso. “Aprendi muito”, sintetiza Fernando, que hoje participa da iniciativa Tucuju.
Ferreira Gomes, a cidade onde o jovem vive, é banhada pelo rio Araguari e cercada por três usinas hidrelétricas. Ainda assim, convive com apagões frequentes. Foi esse contraste que moveu as produções de Fernando e outros adolescentes, centradas em questões como o Racismo Ambiental.
O curta Pisca-Pisca (2023) nasceu dentro da Escola de Cidadania para Adolescentes (ECA), trilha formativa focada em adolescentes da Viração. Com passagem por cidades como Belém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP), a iniciativa agora está em territórios do Amapá, na Amazônia.
No programa Escola de Cidadania para Adolescentes – ECA Amazônia, uma parceria com a Porticus, a meta é fortalecer as vozes das comunidades locais, habilidades comunicacionais e técnicas de produção, além de cultivar o senso de pertencimento e contribuir para a consolidação da Justiça Climática.
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“Levamos os adolescentes a cartografarem seus territórios a partir de suas afetividades. E, a partir dos dilemas que encontram durante esse processo, discutimos Direitos Humanos e Cidadania”, descreve Monise Berno, coordenadora de Comunicação da Viração.
Em Ferreira Gomes, esse processo levou os adolescentes engajados no projeto a entrevistar moradores sobre a relação entre energia, Geografia e injustiças.
“Mesmo com essa geografia e economia girando ali, a cidade sofre com apagões e falta de Justiça Climática. Eles refletiram sobre a questão e entrevistaram pessoas da cidade, fazendo frente a essa situação de Racismo Ambiental”, explica a coordenadora de Comunicação.
Ellen de Paula, diretora-executiva da Viração – Educomunicação, descreve o trabalho da iniciativa em três pilares: formação política focada em temas de impacto para a vida de adolescentes e jovens, foco na Comunicação e Participação Social e olhar interseccional para raça, gênero, sexualidade e território.
“Temos o processo de aprendizagem e apreensão de linguagens e técnicas multimídia, para que possam se apropriar e produzir informações autorais, e comunicar isso para outros sujeitos e jovens que compartilham experiências comuns”, explica Ellen, que é Mestra em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integra o Conselho Consultivo do programa Educação e Território, da Cidade Escola Aprendiz.
Além disso, o principal objetivo da Viração é ir além do uso instrumental das mídias digitais e construir consciência crítica e cidadã entre os usuários, um dos pilares da Cidadania Digital.
“Queremos que eles saibam como construir informação de forma acessível e que sejam capazes de se posicionar e disputar no espaço de debate público e de participação da vida social, colocando suas demandas, proposições, sonhos e angústias”, afirma a diretora da Viração – Educomunicação.
Para tanto, a organização utiliza as tecnologias digitais sem deixar de lado outras tecnologias e ferramentas da Comunicação, como a roda, o diálogo, a prioridade da escuta ativa e da construção coletiva do conhecimento, a partir das particularidades de cada território.
“O horizonte é a democratização do espaço digital e o uso dessas plataformas por jovens para projetar e fomentar iniciativas próprias e do território, conectando experiências de diferentes locais. É imaginar um futuro em que seja possível outra relação com o digital e com o território”, sintetiza Ellen de Paula.
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Viração – Educomunicação
Escola de Cidadania para Adolescentes (ECA)