Perfil no Facebook Perfil no Instagram Perfil no Twitter Perfil no Youtube

Para perpetuar e cultivar a cultura indígena, escritor leva oficinas literárias para comunidades indígenas do Amazonas

Publicado dia 5 de janeiro de 2022

Ismael Tavernaro Filho é um escritor do interior de São Paulo que, desde pequeno, se encantou pela cultura indígena. Agora, adulto, transformou sua fascinação em um projeto social, apoiado pela Lei Aldir Blanc, que pretende contribuir para a perpetuação dessa cultura e seus costumes: “Dando Asas à Imaginação” nasceu dentro de casas de abrigo e da Fundação Casa, em São Paulo. Hoje, atravessa o Brasil para levar oficinas de literatura para comunidades indígenas no Amazonas.

“O projeto é diferente da proposta inicial que levei para casas de abrigo e para a Fundação Casa. Lá, formamos uma roda e criamos personagens e o enredo juntos, a partir do que eles falam. Mas nas comunidades indígenas já chegamos com perguntas sobre lendas, contos, tabus, casamento e a maneira como vivem nas comunidades. Foi feita de uma maneira diferente. O objetivo principal do projeto é perpetuar e cultivar a cultura deles e, depois de concluir o livro que estou escrevendo, enviar a eles como doação para que  possam transformar em recursos, em feiras ou quando receberem visitantes”.

A fascinação pela cultura indígena vem desde a infância do escritor
O escritor Ismael Tavernaro mergulhou por 15 dias na cultura indígena de diferentes etnias

Tavernaro passou 15 dias no Amazonas e contou com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do escritor amazonense Moisés Maciel da Costa, que ajudou na intermediação com as comunidades indígenas. As oficinas foram ministradas entre os dias 14 e 26 de novembro em comunidades do Rio Negro. Participaram da ação as etnias Baré, Tukano, Dessano, Tuyuka e Muras.

Foi um período em que o escritor aprendeu sobre lendas e costumes da comunidade; conta também que viveu um choque de realidade e que foi muito bom o tempo em que ficou sem sinal de celular. “A gente que é urbano e muito conectado perde o essencial do diálogo presencial. Lá percebi como nos distanciamos desse tipo de contato. Eles conversam muito e nós não temos mais esse diálogo. Foi uma experiência que eu precisava”, relata.

O escritor também destacou a culinária muito saudável, o respeito à hierarquia e a parte mística indígena que, até então, pouco conhecia. Gostaria de ter passado um tempo maior para transmitir mais segurança e confiança. “As lendas deles também têm muito em comum conosco e experimentei a medicina também. Em uma das comunidades, eles ficaram super interessados pela oficina porque gostam de falar sobre a própria história. Também levamos alguns livros para fazer doação e a criançada adorou”.

Além das oficinas, ele também reuniu informações para escrever um livro sobre a importância da cultura indígena no Brasil. O lançamento deve acontecer em março desse ano. Depois disso, as comunidades visitadas também receberão os exemplares.

Professores indígenas lançam livro sobre ensino superior e o Alto Rio Negro