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Manas Digitais: projeto incentiva a presença de meninas na Tecnologia e a Cidadania Digital

Publicado dia 7 de outubro de 2026

🗒️Resumo: O projeto Manas Digitais começou como uma formação em escolas públicas do Pará a fim de incentivar a presença de meninas nas áreas ligadas à Tecnologia e, hoje, ampliou suas ações para a inclusão também de mulheres, lideranças indígenas e pequenos agricultores do Norte do país.

Em 2018, quatro mães que lecionavam em cursos de Tecnologia no Pará olharam para as próprias turmas e fizeram a mesma pergunta: por que cada vez menos meninas entravam nos cursos de computação? Dessa indagação surgiu o projeto Manas Digitais.

O trabalho começa com a chegada em uma escola pública e o convite para dialogar sobre como estereótipos de gênero influenciam nas escolhas de carreiras de meninas e meninos, as múltiplas violências de gênero e sobre quem recai o trabalho doméstico e, portanto, quem tem trabalho a mais depois da escola e menos tempo livre.

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Por meio da integração entre Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM), os estudantes desenvolvem um projeto com base em problemas reais de seu cotidiano. E com jogos para o ensino de lógica, começam a aprender a programar em pares.

“Falamos sobre as questões de gênero tanto para meninas quanto para meninos, porque se não falarmos com os dois, não vamos chegar a lugar nenhum”, afirma Danielle Costa, professora na Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das fundadoras da iniciativa, hoje à frente de sua coordenação. 

De Meninas Digitais para Manas Digitais 

Inicialmente, o projeto foi fundado como Meninas Digitais, com apoio do edital Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, do CNPq. “Aqui no Pará as pessoas se tratam por mana. E onde a gente chegava, chamavam de manas digitais, então ficou esse apelido carinhoso”, conta Danielle. Até agora, já foram formados 1783 crianças e adolescentes de escolas públicas do Pará, e o grupo segue realizando oficinas na escola e além dela.

Em 2023, o projeto participou de um processo de aceleração de startups, onde nasceu a empresa que hoje leva o nome de TacaCode. Em 2024, o grupo foi selecionado novamente em um programa de apoio a mulheres inovadoras, entre as 36 startups mais promissoras do Norte do Brasil, recebendo prêmio e investimento.

Com isso, ampliaram as ações da escola para o território, com capacitações em desenvolvimento de softwares e ciência de dados para análise de redes sociais para jovens e mulheres e mentoria de carreira pública para mulheres do Norte do país.

“Em alguns grupos conseguimos 100% de presença no curso inteiro, justamente porque nosso diferencial é levar em conta a rotina dessas mulheres, que muitas vezes já são mães e cumprem dupla jornada de trabalho”, conta Danielle.

Nos últimos anos, a TacaCode ampliou o trabalho pela democratização do acesso às tecnologias digitais para além das mulheres e realiza formações para lideranças amazônicas comunitárias e desenvolvimento para pequenos agricultores, bem como linhas de financiamento voltadas a comunidades indígenas da região.

“Quanto mais diversa a equipe de tecnologia e desenvolvimento, não só de gênero, mas também racial, territorial, religiosa, melhor a capacidade de pensar em diferentes soluções”, afirma Danielle.

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