publicado dia 6 de abril de 2026
Pesquisa revela vulnerabilidades e resistência das juventudes brasileiras em contexto de crise
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 6 de abril de 2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
🗒 Resumo: O livro Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades retrata os principais desafios que os jovens enfrentam hoje e as soluções que vêm criando para transformar o cenário.
Rejeição à escala 6×1, olhar crítico sobre o papel da escola e impactos emocionais da pandemia são algumas das percepções e desafios dos jovens no Brasil captados pela publicação Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades.
Resultado de pesquisa realizada em três estados com 94 jovens de 15 a 29 anos, a obra coloca em evidência desigualdades históricas e crises sobrepostas, bem como as estratégias de resistências criadas pelas juventudes.
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“No Piauí, com jovens do campo e da cidade, no Rio de Janeiro, com jovens das favelas, e em São Paulo, com jovens estudantes”, detalha a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora do programa de Estudos de Políticas sobre Juventude, Educação e Gênero da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO Brasil).
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Resultado de pesquisa com jovens de 15 a 29 anos, obra coloca em evidência desigualdades históricas e crises sobrepostas
Com financiamento da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e coordenação da FLACSO Brasil, o livro se apresenta não como um diagnóstico fechado, mas como “um mapa vivo das juventudes brasileiras”.
A publicação é dirigida para autoridades públicas, pesquisadores, organizações sociais e organismos internacionais.
Além disso, traz contribuições tanto para o debate acadêmico quanto para a formulação de políticas públicas para as juventudes brasileiras.
De acordo com o estudo, 26% dos jovens atuam em atividade remunerada, com mais da metade na informalidade. A maioria veio da escola pública e carrega as marcas de desigualdades que atravessam gerações.
O cenário se agravou com a pandemia de Covid-19, com aumento de desemprego precoce, interrupções nos estudos, deterioração da saúde mental e aumento de diferentes formas de violência, incluindo racial, de gênero e institucional.

A pesquisa foi estruturada em torno de cinco eixos temáticos: Educação, trabalho, violências, territorialidades e expectativas para o futuro. Por meio deles, o estudo investiga como fatores como desigualdade social, racismo e segregação territorial determinam ou limitam as oportunidades de vida dos jovens.
“Os temas trabalhados na publicação são sobre como esses jovens lidam com seus territórios e com o trabalho e a questão da precarização. O que vemos são as várias violências e desalentos que se dão no cotidiano”, explica Miriam.
Um dos pontos centrais do estudo é reconhecer que as desigualdades não afetam todos os jovens da mesma forma. Raça, gênero, classe social e o território onde se vive são fatores determinantes na forma como cada jovem experimenta as adversidades e as possibilidades.
A abordagem interseccional adotada pela pesquisa permite justamente compreender essa complexidade, evitando generalizações que apagam as diferenças dentro do próprio grupo.
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Miriam explica que o objetivo central do estudo foi compreender as trajetórias juvenis a partir da perspectiva dos próprios jovens, incorporando suas experiências, expectativas, frustrações e projetos de futuro, uma escolha metodológica que retira os jovens da histórica e comum posição de mero objeto de estudo.
Apesar do cenário desafiador, a pesquisa também se debruça sobre o protagonismo juvenil diante das adversidades: os jovens estudados desenvolveram redes de apoio, iniciativas culturais, espaços de participação social e formas inovadoras de organização comunitária como estratégias de enfrentamento aos desafios.
A pesquisa aponta para a urgência de consolidar uma agenda de estudos sobre juventudes brasileiras que seja interseccional, territorializada e comprometida com a transformação social.
“O desafio é construir um campo de pesquisa que reconheça os jovens como sujeitos de direitos, produtores de saberes e agentes de transformação”, diz um trecho do documento.
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Para tanto, o livro defende que universidades, movimentos sociais e instituições públicas atuem de forma articulada, produzindo dados atualizados e práticas inovadoras. O objetivo é que as políticas públicas deixem de “administrar a juventude como problema” e passem a reconhecê-la como parte indispensável da construção de um país mais justo, democrático e plural.

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