publicado dia 28 de maio de 2026
Curso gratuito Educação Integral Antirracista fortalece trabalho intersetorial
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 28 de maio de 2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
🗒 Resumo: O curso gratuito de Educação Integral Antirracista, embora voltado principalmente às Secretarias de Educação, possui insumos que podem apoiar todos que atuam junto a crianças e adolescentes a promover a equidade.
Lançado em maio de 2026 e voltado a gestores e equipes técnicas das redes de ensino, o curso gratuito de Educação Integral Antirracista também apoiar profissionais de outras áreas que atuam com crianças e adolescentes, como Assistência Social, Saúde, Cultura, Esporte e organizações da sociedade civil (OSCs), a promoverem equidade.
“Existe um conteúdo específico da Educação, mas todos conseguem facilmente transpor para seus cotidianos de trabalho”, diz Julia Nader Dietrich-Votta, uma das autoras da formação.
Ela é doutoranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Direito à Educação, Economia e Políticas Educacionais (DEEP-USP) e consultora na Coordenação Geral de Educação Integral e Tempo Integral do Ministério da Educação (COGEITI-MEC).
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Realizado pela Fundação Itaú, em parceria com o Centro de Referências em Educação Integral, o curso é virtual, autoformativo e oferece certificado de conclusão.
“A Educação é um projeto compartilhado entre os diferentes setores da sociedade”, diz Julia Dietrich-Votta.
Ele se organiza em seis módulos e parte das Diretrizes de Educação Integral Antirracista, estruturadas em torno de 16 princípios interdependentes, entre eles antirracismo, equidade, interseccionalidade e intersetorialidade.
Para Julia, a chave está no entendimento de que a Educação Integral Antirracista é um projeto de sociedade, não apenas das escolas, e por isso mesmo intersetorial.
“A Educação é um projeto compartilhado entre os diferentes setores da sociedade e todo mundo que puder acompanhar e monitorar, contribui para a equidade e a qualidade”, resume.
Esse é o objetivo central do curso: cooperar com a superação das desigualdades de raça, território, classe e gênero que afetam o acesso, a permanência e as oportunidades formativas de estudantes historicamente vulnerabilizados, como pessoas negras, indígenas, quilombolas e moradoras de áreas rurais e periferias urbanas.
Embora a formação tenha sido estruturada pensando nas Secretarias de Educação, Julia explica que seus objetos são mais amplos: o atendimento ao serviço público, o reconhecimento das diversidades como potência e o enfrentamento às desigualdades. “Ao atender melhor quem está mais à margem, na ponta do serviço, melhora o atendimento para todas as pessoas”, defende a especialista.
“Ao atender melhor quem está mais à margem, na ponta do serviço, melhora o atendimento para todas as pessoas”, defende Julia Dietrich-Votta.
A formação também trata do diagnóstico e de como diferentes dimensões impactam a permanência dos sujeitos na escola e em atividades educativas, como infraestrutura, currículo, práticas pedagógicas e a relação entre as pessoas.
“Essas questões embora formalmente da Educação também fazem parte da Assistência, Saúde, Esporte, Cultura. Por exemplo, como são feitas as representações gráficas dos materiais da Saúde? Como se organizam os espaços dentro das UBS? E o atendimento e a recepção são iguais para todo mundo?”, indica Julia.
Ao longo dos seis módulos, são apresentadas formas de planejar, implementar e avaliar uma política de Educação Integral Antirracista no território, com uso de ferramentas de gestão, dados e práticas participativas, por meio de materiais de leitura, vídeos e entrevistas.
Também há conceitos-chave, como Educação integral, equidade racial, ancestralidade e cosmovisões dos povos tradicionais, como desenhar políticas, infraestrutura e insumos, currículo e formação docente antirracista, avaliação da política, com indicadores e monitoramento por raça/cor e o compromisso com a prática de gestão.
A formação é gratuita e aberta a gestores, equipes técnicas das redes de ensino e demais interessados. O acesso é feito pela plataforma da Fundação Itaú.