publicado dia 13 de março de 2026
Como o Instituto DACOR usa dados para combater o racismo
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 13 de março de 2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
🗒 Resumo: Saiba como o Instituto DACOR, organização não-governamental fundada em 2021, mapeia e sistematiza dados para fomentar políticas públicas e privadas para equidade racial no Brasil.
No Brasil, 72% das pessoas ouvidas em uma pesquisa do PoderData em setembro de 2025 afirmaram que há racismo no Brasil. Mas apenas 30% delas admitem ter preconceito contra pessoas negras. Onde está o racismo, então?
Para ajudar a nomeá-lo em diferentes esferas da vida pública, surge em 2020 o Instituto DACOR – Dados contra o racismo.
“É muito comum ouvirmos dizer que os negros não sofrem racismo, que seria uma questão de mérito, de esforço. A negação do racismo é uma das formas pelas quais ele se manifesta. Então, os dados são importantes para contrapor essas falas”, explica Helton Souto, presidente da organização da sociedade civil (OSC) que mapeia e sistematiza dados para fomentar políticas públicas e privadas para a equidade racial.
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No campo das políticas públicas, analisar os dados considerando o recorte de raça também muda a perspectiva da gestão sobre os territórios. Um exemplo disso é o Índice de Racismo Ambiental (IRA) que o DACOR desenvolve junto à Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) em Sorocaba (SP).
O índice utiliza três indicadores: racialização do território, acesso a saneamento básico e moradia adequada. Ao cruzar esses dados, identificaram que nos territórios onde há mais pessoas negras, o acesso a saneamento básico e moradia adequada é menor.
“Isso confirma que ali há um caso de racismo ambiental, porque as condições de vida afetam uma camada específica da sociedade que é definida pela cor de sua pele”, explica Helton.
Na área da Educação, o Instituto DACOR criou o Mapa de Dados voltado para os Anos Finais do Ensino Fundamental, etapa da Educação Básica que concentra a maior quantidade de estudantes negros. E também as maiores taxas de evasão escolar e desigualdades no desempenho.

“A produção de dados e evidências sobre racismo no Brasil era dispersa, de difícil acesso ou inexistente. Isso dificulta a tomada de decisões, encaminhamento, letramento e comunicação para a sociedade brasileira a partir desses desafios. Também dificulta fazer as pessoas perceberem que a agenda racial não é ideológica, de determinado campo político, mas um reconhecimento de que pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas são mais vulnerabilizadas e precisam de mais políticas públicas qualificadas para reverter o cenário”, afirma Helton.
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Entre outras ações, o DACOR também desenvolveu um guia para apoiar gestores a coletar e tratar dados de declaração racial dos estudantes, uma ferramenta que ajuda as redes de ensino a diagnosticar e planejar ações de equidade racial em seus territórios e realiza formação para equipes de Secretarias de Educação.
“Também temos podcasts, curso livre e aberto para letramento racial, e nossas redes sociais são voltadas para comunicar conceitos, dados e outras informações sobre racismo”, diz Helton.

O presidente do Instituto DACOR também destaca que várias organizações negras somam esforços por todo Brasil para qualificar esses dados e seus usos, a fim de gerar análises e decisões mais profundas e adequadas. “Juntos, alcançamos uma perspectiva de ampliar a nossa capacidade como sociedade de analisar os dados sobre racismo e tomar decisões mais qualificadas”, diz.