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publicado dia 13 de dezembro de 2021

Webinário discute dificuldades encontradas por mulheres negras para ingressar no mercado de trabalho

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O projeto Mude com Elas realizou na última terça-feira (07/12) um debate sobre as desigualdades de acesso ao mercado de trabalho e geração de renda.  Jovens mulheres negras estiveram no foco da discussão. A mediação do debate foi feito por Micoli Cerqueira, da Associação Ação Educativa, e contou com a participação de Maria Sylvia, do Instituto Geledés, Ana Minuto, do projeto Potências Negras e Stephanie Felício, do núcleo Uneafro. Também contribuíram com a discussão Paula Keren e Camila Eduarda, do projeto Mude com Elas.

Historicamente a população negra tem diversos acessos negados no Brasil e, na pandemia, o cenário se agravou. Se o recorte for por gênero, o cenário é ainda pior. Mulheres negras são as mais atingidas pela atual crise econômica e social. Baixa remuneração, vínculos empregatícios precários e uma crescente exigência de formação e qualificação são os principais desafios que jovens mulheres negras encontram para sua inserção no mercado.

Diante dessa realidade, o projeto Mude com Elas promove o protagonismo dessas jovens mulheres negras. O projeto também tem como objetivo ampliar o debate do recorte de raça, gênero e classe social com a sociedade civil, com os setores privado e público.

Paula Keren destacou as principais dificuldades encontradas por essas mulheres para o ingresso no mundo do trabalho. “Exigem uma experiência que às vezes não temos; também há o racismo e a falta de escolaridade completa. Por isso, a maioria procura empregos informais e, quando encontra um trabalho formal, tem a diferença salarial entre os gêneros. Mulheres negras tem que se esforçar dez vezes mais do que um homem branco para se manter em um lugar confortável”.

Ana Minuto, que é criadora do projeto Potências Negras, destacou que 28% da população brasileira é composta por mulheres negras e que mais da metade desse conjunto é composto por donas de casa: cuidam das famílias e recebem menos de um salário mínimo. Para mudar essas realidade, ela disse que é necessário “enegrecer” o mercado de trabalho, fazer projetos voltados para essa população e atuar dentro das empresas para que as contratações aconteçam.

“É urgente focar em mulheres negras e jovens pretas. As empresas devem se envolver no processo de diversidade e inclusão e precisam também trazer pessoas negras para os cargos de liderança”, afirmou.

Já a representante do Instituto Geledés, Maria Sylvia, destacou que a questão da inclusão da população negra ganhou um corpo maior dentro das empresas, mas ainda há muito o que avançar. Ela apontou para a importância de um processo de geração de renda e também educação continuada.

“O estado brasileiro não tem preocupação em entregar uma educação de qualidade para a população negra. Ela é excluída do mundo tecnológico também e temos um gap muito grande na utilização dessa tecnologia. No momento de crise, as mulheres negras são as mais atingidas, então estudem muito porque não tem outro caminho. Busquem apoio onde for possível para estudar e fazer networking“, indicou.

Por fim, Stephanie Felício também apontou para a dificuldade de ser uma jovem mãe negra tentando a inserção dentro do mercado de trabalho. Ela afirmou que um contexto que envolve a maternidade aumenta muito as dificuldades encontradas e não há políticas públicas que contemplem essas mães e crianças. Stephanie também destacou a importância de coletivos culturais dentro dos territórios que constituem uma rede de apoio para essas mulheres negras e fortalecem a luta de todas.

Ficou curioso(a) para saber tudo o que rolou nesse debate? Então acesse no link abaixo, no YouTube Ação Educativa e confira na íntegra!