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publicado dia 4 de janeiro de 2022

Prato Firmeza valoriza a gastronomia das quebradas e periferias paulistanas

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O Prato Firmeza, criado pela Escola de Jornalismo Énois, é um guia gastronômico das quebradas paulistanas. O primeiro a mapear os melhores restaurantes, bares, lanchonetes e carrinhos de comida da periferia. O projeto surgiu como um serviço para quem come e empreende nesses territórios – e também com um papel político definido: mostrar que a cidade é maior do que o que se passa entre as marginais.

A jornalista Jamile Santana, que é a editora-chefe da publicação, conta que a idealização partiu de um aluno da Énois:  ele sugeriu fazer um guia que mostrasse quais eram os empreendimentos gastronômicos que existiam na periferia, pois sentia que aquilo que era retratado na grande mídia era sempre muito centralizado. Hoje, já são quatro edições que, além da valorização de territórios periféricos, também falam sobre negritude.

“Ao longo do tempo o projeto foi aprimorado, a gente fez uma metodologia para poder transformar os jovens que produziram o mapeamento. Hoje temos um guia metodológico e fomos mudando os temas; cada edição tem um tema diferente e, em 2021, tiramos apenas de São Paulo. Até então era um olhar para regiões periféricas de São Paulo, e pela primeira vez trazemos um olhar para o Rio de Janeiro. Nossa ideia é essa: começar a ampliar e rodar no Brasil inteiro. O projeto tem uma função de formação de como construir um guia, como mapear o território e como construir a narrativa olhando para a realidade. O resultado final é um livro muito personalizado porque vem cheio de afeto e história. Tem uma conexão muito forte com quem mora nessas regiões”, explica Jamile.

Ela também fala com muita emoção e carinho sobre um impacto “bonito e positivo” das quatro publicações. A editora-chefe destaca que essa reação é muito importante para os empreendedores, que têm a oportunidade de contar suas histórias – e também para quem constrói a narrativa. “São todos jovens ligados ao território e eles já vivem ali e fazem parte da comunidade e conhecem as pessoas, então fortalece o elo e a narrativa. É muito diferente do que trazer um jornalista de fora só para visitar o lugar”.

Apesar de não haver um impacto exatamente palpável, Jamile afirma que o mais importante retorno é a identificação com as narrativas. “O guia acaba tendo alma, nós trazemos jornalistas negros e periféricos para produzir um texto com alma, é muito importante”.

A valorização do território e das pessoas que vivem nesses ambientes também é um ponto chave para o Prato Firmeza. A valorização da cultura periférica, que muitas vezes é deixada de lado, é algo que constrói afeto e proximidade com muitos leitores. “Tem muita coisa boa nesses locais que a gente não vê. Há um olhar centralizado para o centro e bairros nobres, além de uma gastronomia de referências européias. Então esse trabalho envolve muito afeto, é a própria comunidade que produz e isso é muito potente”.

Premiações

Ao longo das quatro publicações que buscam valorizar a periferia e sua cultura, o Prato Firmeza já foi protagonista em alguns importantes prêmios da literatura brasileira. Em 2017, o guia conquistou o 6º lugar no Prêmio Jabuti. Além disso, também ganhou o título de Menção Honrosa no 20º Troféu São Paulo Capital da Gastronomia na categoria Guia impresso ou eletrônico.

Já a segunda edição do guia foi contemplado com o prêmio do 21º Troféu São Paulo Capital da Gastronomia na categoria Guia impresso ou eletrônico. E, mais recentemente, no mês de dezembro de 2021, veio a maior honraria: a quarta edição do guia gastronômico “Prato Firmeza Preto – Empreendedorismo Negro e Identidades” foi um dos grandes vencedores do Prêmio Jabuti. A produção venceu a categoria “Não-Ficção – Economia Criativa”, na 63ª edição do prêmio.

Para Jamile é emocionante e importante ver que a demanda por esse conteúdo realmente existe. “É muito emocionante você colocar na lista de obras literárias um guia feito por pessoas periféricas e pretas, é lindo. É muito bonito levar esse trabalho para lugares difíceis de serem acessados e é muito importante ver que isso realmente é uma demanda”, finaliza.

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