publicado dia 18 de abril de 2013
Portal EBC

A Escola Estadual Padre José de Anchieta fica na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), onde 250 alunos de diferentes comunidades do bairro cursam da 1ª à 9ª séries do Ensino Fundamental, mas a escola ainda oferece turmas para Educação de Jovens e Adultos (EJA). A gestora da escola, Natalina da Silva Messias, conta que, além do português, os alunos são alfabetizados nas línguas macuxi ou taurepangue, uma das muitas conquistas dos povos de Raposa Serra do Sol nos últimos anos. O ensino dessas línguas tem contribuído para a retomada da cultura dos povos que habitam a região.
Atualmente, a língua indígena é ensinada no contra turno das aulas. Adolescentes, que até pouco tempo praticamente não falavam as línguas de suas etnias, também são alfabetizados. A metodologia não distingue a série que os alunos estão cursando e a escola desenvolve também O Projeto Musicar, em que os alunos traduzem músicas do português para o macuxi. Os mais velhos são chamados a contribuírem para o aprendizado e têm espaço para falar sobre os costumes antigos, ensinarem as danças e reproduzirem os rituais.
A instituição reflete uma concepção adotada nas outras comunidades de Raposa Serra do Sol, com a diferença de que dispõe de uma boa estrutura física para os padrões da região: feita em alvenaria, conta com quadra de esporte e sala de informática. Uma preciosidade em um local em que, normalmente, os índios é que acabam se responsabilizando pela construção dos locais de ensino. Antes os moradores de comunidades tradicionais só conseguiam estudar até o ensino médio e não havia a formação de professores indígenas habilitados para o ensino. Esse era um fator que dificultava o ensino da língua e dos costumes.



