publicado dia 6 de novembro de 2013

A Guerra do Afeganistão já dura 12 anos. Desde 2001, cerca de cem mil soldados americanos ocuparam o território afegão, deixando baixas de 11.700 mortes de civis até 2011.
Neste cenário de guerra, o que não faltam são muros quebrados e prédios destruídos pelas bombas. Duas mulheres afegãs, porém, tentam superar esses problemas que afetam seu país ao encontrar na arte e no grafite uma forma de simbolizar as vozes oprimidas – tanto pela guerra como pelo governo afegão, cujo conservadorismo e extremismo religioso levam a constantes atentados à liberdade das mulheres.

Shamsia Hassani e Malina Suliman são consideradas as primeiras grafiteiras do país do Oriente Médio. Elas apagam as marcas da guerra com spray e rolos de tinta e pretendem incentivar outras mulheres afegãs a não calarem diante das violações a seus direitos – além de mostrarem ao mundo que no Afeganistão acontecem coisas que os jornais não mostram.

Shamsia tem 24 anos e é formada em Belas Artes, na Universidade de Cabul. Ela pinta mulheres de burca, em poses seguras e dominantes. Entretanto, por questões de segurança, Shamsia é obrigada a pintar em lugares fechados e abandonados – ou onde é convidada a exercer sua arte.
“Ultimamente tenho pintado mulheres com burcas no formato modernista nas paredes. Eu quero falar sobre suas vidas, encontrar um jeito de removê-las da escuridão, abrir suas mentes, trazer mudanças positivas, remover as lembranças ruins da guerra da memória de todos, cobrindo os muros tristes da cidade com cores alegres.”
Malina é ainda mais nova: com 23 anos, aliou o trabalho de professora com atividades um tanto secretas no grafite: ela se disfarçava e saia às ruas da cidade de Kandahar, uma das mais violentas do Afeganistão, para espalhar mensagens políticas. Malina foi ameaçada pelo Talebã e viu seu pai ser agredido – por isso, passou um período exilada na Índia, mas voltou recentemente a seu país para continuar seu trabalho pelas ruas.
As duas integram – ao lado de outros artistas afegãos – a exposição “Kabul Art Project”, que vai até o dia 9 de novembro, em Berlim, na Alemanha.



