publicado dia 6 de março de 2014
por Julia Dietrich, do Centro de Referências em Educação Integral.
“Eu sou a moça fantasma; que espera na Rua do Chumbo o carro da madrugada”. O início de “Canção da Moça-fantasma de Belo Horizonte”, do poeta Carlos Drummond de Andrade resume de forma singela e triste a riqueza de um dos pontos altos do folclore da capital mineira. Espíritos, assombrações, aparições… os populares fantasmas, que assombram prédios e velhas casas esquecidas da cidade falam de importante período histórico da região, que, em constante mutação e processo de expansão urbana acabou por “abandonar” ou “destruir” importantes construções do território.
Segundo a pesquisadora Heloísa Starling, que estuda o folclore fantasmagórico da região, as aparições são formas dos moradores pensarem e, de certa forma, resgatarem a cidade antiga, e aquilo que foi perdido ou reconfigurado. Para ela, os fantasmas são a memória do lugar.
Além de motivarem a discussão sobre o espaço público, a pesquisa sobre o folclore dos fantasmas pode estimular a contação de histórias e resgate da memória que as pessoas têm de suas cidades, origens e famílias.
Certamente, entre as mais famosas aparições, está a Loira do Bomfim, que desde os anos 50, é vista por motoristas que trafegam pelo centro da cidade durante a madrugada. Normalmente às duas da manhã, uma bela mulher de cabelos longos e loiros acena e seduz os desavisados que passam na região.
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Outra aparição bem famosa é a moça da Serra do Cural, que procura um amor perdido e que inspirou o poema de Drummond. Também na perspectiva de valorizar as narrativas cotidianas da cidade, o Coletivo Piseagrama publicou o Guia Morador de Belo Horizonte, que tem, entre seus capítulos, um inteiro (escrito pela pesquisadora Heloisa Starling) dedicado aos fantasmas da cidade.



