publicado dia 4 de dezembro de 2013

Alguns anos atrás, Cabelo era o chefe do tráfico no Parque Santo Antônio, comunidade localizada na zona sul de São Paulo. Hoje, Cabelo deixou o apelido de lado e se apresenta como Giovani Santos, ex-traficante que largou o comércio de drogas ao se deparar com um projeto de intervenção urbana realizado dentro da comunidade até então comandada por ele.
Ao lado do designer Marcelo Rosenbaum, um dos idealizadores da iniciativa, Giovani apresentou o projeto A Gente Transforma durante o Seminário Internacional Sampa Criativa. Tudo começou em 2010, quando o Parque Santo Antônio começou a receber cores e intervenções artísticas para despertar a criatividade e inspirar transformações na região. Na mesma época, também foi projetado um espaço de lazer nas redondezas.

Rosenbaum revelou que, durante a aproximação com a comunidade local, foi visto com muita desconfiança pelos moradores, inclusive Giovani. Porém, após muito diálogo, o traficante não apenas cedeu aos resultados positivos da iniciativa: decidiu fechar o ponto de venda de drogas. “Eu era o dono do tráfico e tinha tudo, mas não tinha liberdade. Hoje eu rodo a cidade inteira sem preocupação”, afirma.
Giovani pediu que o designer o ajudasse a conseguir um emprego e foi prontamente atendido: trabalhou por mais de dois anos na Casa do Zezinho, organização social localizada na região.

Várzea Queimada
O projeto A Gente Transforma baseia-se na ideia de que o design pode ser um catalisador de mudanças profundas em comunidades com potencial de desenvolvimento.
Sendo assim, Rosenbaum levou seus conhecimentos para o interior do Piauí, mais precisamente ao Sertão do Araripe, em uma comunidade de 900 moradores chamada Várzea Queimada.
“Lá, os moradores rezam a missa em latim e não chove em oito meses do ano. Telefone e internet também não existem.” A proposta era estimular a economia criativa de Várzea Queimada e promover o artesanato como identidade cultural. Cestos de palha e chinelos esculpidos em pneus de caminhão são alguns exemplos de produção da população local, que viu esses trabalhos virarem tema de uma edição da São Paulo Fashion Week e serem vendidos em feiras internacionais de moda.




