publicado dia 4 de dezembro de 2013
“É no espaço público que exercemos nossa cidadania.”
A frase, proferida pela arquiteta portuguesa Branca Neves – presente no Seminário Internacional Sampa Criativa – é um dos motes do projeto Lisboa Cidade Amigável, que incentiva a participação popular para transformar a cidade em um ambiente mais acolhedor e receptivo. Segundo Branca, a requalificação dos espaços públicos e a implementação do Plano Diretor e do Orçamento Participativo foram fundamentais para o prosseguimento da iniciativa.
Em Lisboa, o Orçamento Participativo virou realidade há seis anos “com enorme sucesso”. Apenas em 2013, os cidadãos apresentaram 551 propostas durante mais de 170 assembleias participativas, dos quais 208 foram votadas por quase 36 mil pessoas. O projeto de maior apreço foi o de renovação do Jardim Botânico. Para Branca, trata-se de uma “prova de que a população lisboeta aposta em áreas verdes e no espaço público”.
A capital portuguesa também viu o número de freguesias (os bairros, em Portugal) cair de 56 para 24, em uma medida para facilitar a gestão. “Redefinir os territórios ajuda na organização dos serviços, pensando-os de uma maneira mais descentralizada e mais próxima da população”, observa.

A arquiteta acredita que grandes eventos podem ser o motor da renovação urbana das cidades, como foi a Expo 98 para Lisboa. “Ela criou uma nova centralidade urbana a ser explorada”, disse Branca, referindo-se ao Parque das Nações, local que fica à beira do rio Tejo e “possui uma atração magnífica”.
Físico, simbólico e político
Branca separa o espaço público em três categorias: físico, simbólico e político. “Ruas, travessas, largos, praças, jardins, chafariz e arborização constituem o espaço físico. Os simbólicos são aqueles que se referem às manifestações da história local para construir uma identidade cultural e servir de referência urbanística. Já o político é aquele lugar de expressões coletivas, um espaço de vida comunitária, local de encontro onde acontecem intercâmbios diários”, explica.
“Nos afastaremos da cidade ideal quando não pudermos participar diariamente da sua construção”, finaliza a arquiteta.



