publicado dia 9 de setembro de 2013
O professor Edson Kayapó, coordenador de Licenciatura Intercultural Indígena do Instituto Federal da Bahia (IFBA), foi espancado e ameaçado de morte no dia 5/9, em Buerarema, na Bahia, por homens identificados por Kayapó como “capangas armados que demonstravam ódio por índios”. Um carro do IFBA também foi queimado e jogado no mato.
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O atentado, se inscreve no contexto da demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, no sul do estado, que têm gerado violentos protestos por parte dos fazendeiros da região. A situação de terror na região de Ilhéus, Buerarema e Una já resultou na morte de pelo menos um indígena, atentados contra veículos que transportavam estudantes, casas queimadas assim como diversos veículos, inclusive oficiais. Organizações indígenas e ativistas da área creditam os conflitos à demora do governo em assinar a portaria declaratória da Terra Indígena, já demarcada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A Força Nacional está presente na região, mas não tem conseguido evitar os excessos.
Confira abaixo o relato publicado pelo professor sobre a agressão sofrida:
“Um crime absurdo!
Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do IFBA ameaçados.
Foi hoje [5/9], por volta das 11h, um grupo de quatro capangas interceptaram o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema. Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: ‘tem um índio no carro’ e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.
Fui orientados pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz, no entanto, o táxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.
O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho bem, estão na delegacia da cidade e eu, nem sei onde estou… Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime.
A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.
As autoridades pouco esforços mobilizam contra esse estado de coisas.
Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim:
Você é índio, né?
– Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é indío, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da Amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
– Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
– (silêncio)
(barulho do gatilho da arma…Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás”.



