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publicado dia 5 de agosto de 2013

Professores de Chicago: demitidos por ensinar democracia

Do Desinformémonos

“Se eu ensinasse de outra forma, talvez ainda tivesse meu emprego”, lamentou Xian Barret, professor de 35 anos. “Mas não me arrependo de nada. Temos que lembrar porque estamos aqui, porque ensinamos”. Barret faz parte dos 3 mil trabalhadores, entre funcionários e docentes, demitidos pelo prefeito de Chicago, Estado de Illinois (EUA), Rahm Emanuel.

Em julho deste ano, o prefeito declarou que estava fechando 50 escolas para garantir uma reforma drástica no sistema como forma de garantir que os estudantes de bairros pobres tivessem uma educação de qualidade. Segundo Rahm, os passivos de pensão dos professores alcançavam US$ 600 milhões de dólares por ano. No entanto, muitos professores de excelente avaliação estavam entre os demitidos. Coincidentemente ou não, mil desses docentes fazem parte de sindicatos que em 2012 fizeram uma greve de oito dias que chamou atenção de todo o país.

Além do sindicalismo

Barret, historiador e mestre em direito, já ganhou prêmios do Departamento de Educação do país por sua forma de ensinar. O professor fundou junto com seus estudantes uma organização de justiça social chamada Chicago Youth Initiating Change, que levou jovens de Chicago para ajudar na reconstrução da cidade de Nova Orleans – destruída após o furacão Katrina em 2005. O lema da organização é: “Antes que os estudantes percam interesse na educação, nós perguntamos o que os apaixona e trabalhamos com isso, pois a aprendizagem deles pertence a eles.”

A iniciativa gerou estudantes capazes de pensar em suas realidades, empoderados e engajados em ativismo estudantil, tanto dentro como fora da escola.  Xiam incentivou os alunos a discutirem casos reais relativos a justiça penal com seus amigos e vizinhos, uma prática que identificou, segundo o professor demitido, “exemplos concretos de alto nível de violação de direitos constitucionais em seus bairros, buscas arbitrárias, cruéis e incomuns, além de punições que extrapolam o normal”, conta Barret.

“Vivemos em uma época em que ser cruel com trabalhadores é normal, especialmente com negros e hispânicos. Mas com estudantes não se pode ser tão direto. Por isso que quando os jovens vão às reuniões de conselho e se opõem aos gestores e políticos, eles se sentem ameaçados e têm que fazer algo”, reafirma o professor demitido duas vezes, uma em 2010, no Percy L. Julian e neste ano em Gage Park, uma escola preparatória. No entanto, seus alunos, que em uma excursão escolar foram ao conselho de educação da cidade, continuam frequentando o espaço e reivindicado o que chamam agora de “direitos estudantis”.

Leia a matéria na íntegra (em espanhol)

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