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publicado dia 8 de novembro de 2012

Royalties para a educação e C&T asseguram o desenvolvimento para as futuras gerações

O destacado desenvolvimento do setor petrolífero nacional não tem sintonia com a qualidade de vida da maioria das cidades pequenas e médias que recebem anualmente milhões de reais por meio de royalties.

Por Vanderlan da Silva Bolzani
Publicado originalmente no site da SBPC

As descobertas de reservas petrolíferas na camada do pré-sal destacam o Brasil mais uma vez na agenda nacional e mundial pela sua imensa riqueza natural, num mundo cada dia mais escasso de matéria-prima, para suprir as demandas das superpopulações.

As jazidas, descobertas pela Petrobras, englobam três bacias sedimentares – Santos, Campos e Espírito Santo, localizadas a 7.000 metros abaixo da superfície do mar, se estendendo do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina, cobrindo uma área litorânea de 800 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura.

[stextbox id=”custom” float=”true” align=”right” width=”250″]O espaço “Coluna Livre” publica artigos de opinião produzidos por leitores do Portal Aprendiz. O texto “Royalties para a educação e C&T assegura o desenvolvimento para as futuras gerações foi produzido por Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do IQ-UNESP e diretora da AUIN-UNESP.[/stextbox]

Não se tem ainda uma estatística real do potencial do pré-sal, mas, segundo analistas especializados, o pré-sal poderá gerar cerca de 338 bilhões de barris! Se esta estimativa for confirmada, o Brasil poderá ser o maior detentor de petróleo extraído de rochas da camada pré-sal  do mundo. Outro dado a destacar é o reconhecimento mundial do nosso país na exploração de petróleo em águas profundas, desenvolvidos a partir de pesquisas tecnológicas de vanguarda resultado de investimentos do FNDCT por meio do CT-Petro.

Estes dados que demonstram o destacado desenvolvimento do setor  petrolífero nacional não tem sintonia com a qualidade de vida da maioria das cidades pequenas e médias que recebem anualmente milhões de reais por meio de royalties, apresentando baixíssimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o que alguns economistas caracterizam como “a maldição do petróleo”.

Assim, para o governo, o modelo de repartição em vigor deve ser revisto e alterado. Os colegas devem estar acompanhando pela imprensa falada e escrita, o debate sobre o Projeto de Lei que trata dos royalties durante a última semana no Senado e que altera a sua distribuição com votação prevista para a próxima terça-feira (6) pela Câmara dos Deputados.

A proposta em análise prevê a mudança dos contratos firmados ainda no regime de concessão e define os percentuais de divisão entre todos os estados dos royalties para os poços em regime de partilha.  Num momento em que o país melhora seus indicadores científicos, ocupando uma posição bastante representativa da ciência mundial (13º no ranking mundial de ciência), englobando 2,7% da produção científica mundial e 56% do total do dos países da América Latina, toda comunidade acadêmica do país deve se manifestar sobre o PL no. 8051/2010 que trata da partilha dos royalties do petróleo incluindo os acrescidos da camada do pré-sal.

A reivindicação para que 50% dos royalties oriundos do pré-sal sejam destinados à educação, ciência e tecnologia é vital para o desenvolvimento econômico e social da nação, com aumento da qualidade de vida em todas as regiões a curto, médio e longo prazo.

Da tomada de decisão política que deverá ocorrer em Brasília, nestes dias, dependerá o salto qualitativo tão sonhado no nosso sistema de educação e na competitividade científico-tecnológica e de inovação do País e, consequentemente, na qualidade de vida das futuras gerações de brasileiros.

A Academia Brasileira de Ciências (ABC), as várias sociedades científicas e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) têm se manifestado sistematicamente sobre o Projeto de Lei em pauta e, nesta oportunidade, convido todos os colegas da UNESP e de todas as universidades e institutos de pesquisa brasileiros a unirem-se em voz de uníssono as iniciativas da ABC e SBPC.

Se cada colega enviar uma mensagem ao Presidente da Câmara dos Deputados e aos  principais líderes de partido solicitando que defendam a destinação dos royalties do petróleo para a ciência, tecnologia e educação, mais que cumprindo nossa missão de cidadãos estaremos defendendo o Brasil e assegurando o futuro de todos os brasileiros.

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