publicado dia 24 de outubro de 2012
A “energia limpa” – aquela que não polui o ambiente em sua produção e obtenção – é um dos temas em evidência nos projetos apresentados na Mostratec 2012. Soluções alternativas para a geração de energia elétrica e o desenvolvimento de suportes biodegradáveis para plantas são algumas das engenhosidades apresentadas por jovens estudantes presentes na Mostra, revelando que a educação ambiental é tema presente no cotidiano escolar.

Daniel Parente Xavier, de Fortaleza (CE), tem 17 anos e inventou uma cadeira de balanço capaz de produzir e armazenar energia elétrica. Por meio de uma placa fotovoltaica – que capta a energia solar, “algo bastante comum onde moro”, diz o estudante – e um dispositivo eletromagnético simples, conseguiu que o próprio balançar da cadeira e a exposição ao sol gerasse energia necessária para carregar uma bateria elétrica fixada no móvel.
Pelo seu experimento é possível, num período de quatro horas, armazenar 13 volts, o suficiente para carregar um celular. Sua inspiração foram os idosos nos asilos. “Um senhor de idade pode ligar o celular na própria cadeira e ouvir seu rádio, enquanto repousa e balança, economizando a energia local”, garante.
Tudo feito com o reaproveitamento de material de descarte, a baixo custo. “Além de contribuir com algo útil, pude revisar o conteúdo que estudei em física na primeira e na terceira série [do ensino médio]”. Ele presta vestibular este ano para engenharia elétrica.
Esgoto elétrico
Para os colegas Mateus Fernandes Moreira e Enos Negreiros, 17 e 19 anos, respectivamente, de Mossoró (RN), a produção de energia elétrica é viável a partir de fontes completamente inesperadas. Foi pela diferença de potência nos elétrons que circulam nas águas impuras do esgoto – um lixo orgânico – que eles conseguiram produzir energia suficiente para fazer funcionar um celular completamente descarregado.
De acordo com eles, o objetivo foi buscar vias “renováveis, sustentáveis e totalmente não poluentes de produção de energia elétrica”, diz Matheus. No protótipo que trouxeram à Mostra, conseguem gerar 8 volts. Com o aperfeiçoamento do dispositivo, é possível que “se retire energia elétrica das caixas de esgoto residenciais”, avalia Enos.
Aluno de uma escola pública, concluintes do ensino médio, Matheus está em dúvida se presta vestibular de engenharia civil ou elétrica. Já Enzo não titubeia: “é elétrica mesmo”.
Reaproveitamento orgânico
A reutilização do lixo orgânico também serviu de inspiração para um grupo de três alunas de um curso técnico em Meio Ambiente de Campinas (SP). Ana Gabriela Person, de 20 anos, Graziele Cristine, 18, e Tatiane Florido, 19, desenvolveram embalagens ecológicas feitas a partir de resíduos de biomassa, como o bagaço de frutas, sementes, pó de café, cascas e palhas. A liga da massa é produzida com amido tratado e cola.
A proposta é que os cones de plástico usados para acondicionar plantas, prejudiciais ao solo e ao crescimento das raízes, possam ser trocados pelos biodegradáveis. “As embalagens produzidas com resíduos de biomassa permitem o crescimento da planta ao mesmo tempo em que se decompõem mais rápido que as embalagens plásticas, com a vantagem que, ainda por cima, fornecem nutrientes para o solo”, defende o grupo.
A decomposição das bioembalagens leva de seis a dez meses. O projeto ainda é pouco viável economicamente: enquanto a embalagem de plástico tem um custo de R$0,10 a R$0,30, a de biomassa varia de R$2 a R$2,50. “Mas isso em pequena escala, com tudo feito a mão. Se uma empresa se propusesse a melhorar, desenvolver o projeto, não sairia tão caro”, explica Graziele, que prestará vestibular para oceanografia.



