publicado dia 10 de outubro de 2012
O empreendedorismo está em alta entre os universitários brasileiros. Segundo a pesquisa “Empreendedorismo em Universidades Brasileiras”, realizada pela Endeavor – instituto transnacional voltado à promoção e incentivo aos novos negócios – seis a cada dez universitários têm interesse em abrir o próprio negócio.
Abrir um negócio próprio requer, além de dedicação e trabalho, um preparo específico para a área escolhida. “Para ter sucesso na carreira é preciso estudar, ler bastante, ter contato com diversos empreendedores, buscar informação sobre como iniciar um negócio, participar de organizações estudantis, além de estagiar em start-ups”, destaca Amisha Miller, gerente de Pesquisa e Políticas Públicas da Endeavor.
De acordo com ela, é necessário capacitar melhor os interessados para que sejam empreendedores de sucesso. A pesquisa detectou que, entre os empreendedores, 41% leem livros sobre como abrir um negócio – índice que cai para 31% entre os potenciais interessados, mostrando uma baixa adesão aos estudos e preparos para quem quer “botar pra fazer”.
Habilidades
A gerente ressalta que ações empreendedoras não são dotadas de uma previsão exata. Ela lembra que os iniciantes na área precisam desenvolver diferentes habilidades, tais como flexibilidade para lidar com o cliente, visão global do cenário de atuação, além de um aprendizado aliado à prática. “Os bons cursos focam numa teoria aplicada. É importante aprender desde o começo que se depende do cliente, o que também torna as variáveis mais imprevisíveis”, ensina.
Para Amisha Miller, é preciso aprofundar e disseminar o ensino do empreendedorismo no Brasil. “Os cursos de educação empreendedora ainda são muito superficiais e concentrados nas áreas mais próximas ao tema, como administração”, destaca. Uma sugestão é que as aulas voltadas ao assunto sejam transdisciplinares, englobando diferentes graduações, uma vez constatado o interesse por alunos de diferentes cursos.
Ainda que a educação empreendedora nas universidades esteja avançando, apenas 39,7% dos estudantes afirmaram que já cursaram uma disciplina ligada ao empreendedorismo. O modelo ideal de aprendizagem, segundo Miller, é o que traz casos reais para estudo em sala de aula, ao mesmo tempo em que promove a participação dos alunos em empresas juniores, mantidas pelas próprias organizações dicentes.
Entre as atividades universitárias – divulgar o que a própria faculdade já promove a respeito e trazer empreendedores experientes para dar o seu relato em sala de aula – a pesquisa demonstra que apenas 6,3% das universidades brasileiras têm essa prática, contra 71,4% na média mundial. “É importante mostrar que é difícil”, pondera Anisha Miller.
As três maiores causas do fracasso de empreendedores no Brasil, destaca Miller, são a falta de conhecimento em gestão, de capacidade em saber planejar, e um comportamento inadequado à manutenção do negócio. “São razões que têm menos a ver com o mercado e mais com a formação do profissional”, completa.



