publicado dia 23 de julho de 2012
Por Vagner de Alencar, do Porvir
Uma estudante universitária frequenta a lan house para fazer os trabalhos da faculdade. Enquanto um adolescente, em sua casa, garante que, se não fosse a conexão de banda larga, certamente ele estaria ocupando o tempo livre na rua. Já para uma manicure, a internet tem feito sua vida girar mais dentro da rede virtual do que fora dela.
Esses são alguns dos depoimentos do A Vida do Lado de Cá, documentário que fala sobre a percepção das comunidades sobre as marcas e também a atuação das empresas nesses locais. O estudo documental, realizado com 18 pessoas consideradas formadores de opinião da periferia, mostra o papel da internet na comunidade, como jovens estão se tornando empreendedores e a percepção de seus hábitos e consumo na chamada nova classe média
Em entrevista ao Porvir, Tatiana Ivanovici, 33, que é jornalista, idealizadora do documentário e diretora da rede Do Lado de Cá – que presta consultoria para ações de marketing nas periferias –, fala sobre os processos de aprendizagem dos jovens na periferia e como eles têm utilizado a internet como ferramenta de emponderamento. Segundo ela, a inovação está em derrubar as muralhas. “O educador não pode se posicionar num patamar acima. É preciso sempre ter a ideia da cocriação.”
Quais são as inovações no processo de aprendizagem na periferia e como os jovens estão usando a internet para se comunicar?
Sem dúvidas, o grande veículo para comunicação periférica tem sido o meio digital, tanto para divulgação de seus produtos e iniciativas, quanto para o comércio e para aprendizagem. A principal inovação tem sido as pessoas utilizarem a internet tanto para se comunicar quanto para empreender e aprender. A galera lança todos os seus livros de literatura periférica na internet. Enquanto outros jovens divulgam os eventos que estão organizando. As lan houses, por exemplo, precisam ser vistas como centros digitais e também de convivência, não de mero acesso à internet. Há muitos jovens que estão fazendo faculdade e usando esses espaços para fazer os trabalhos, por exemplo. Concordo com o Sérgio Vaz [poeta da periferia e criador da Cooperifa] quando ele diz no documentário que ‘a internet é nova rua da periferia’. Ele fala que nunca se leu e escreveu tanto quanto hoje. O exemplo que ele dá é que o jovem ao falar sobre seu dia a dia no Facebook ou no Orkut, está escrevendo uma carta, se comunicando com outras pessoas. E se está certo ou errado gramaticalmente, isso já é outra questão.
A Do Lado de Cá presta consultoria para empresas para ações de marketing nas periferias e emprega profissionais locais. Como é essa relação entre eles?
A rede utiliza uma metodologia que busca capacitar pessoas da periferia para trabalhar com a gente. Nosso núcleo tem profissionais da área de comunicação que atuam junto com a galera da periferia, justamente para a ‘derrubada de muralha’. O que procuramos é sempre levar os jovens das comunidades para dentro da equipe. É o aprender fazendo. Aprender na prática. Dentro da nossa equipe de produção, por exemplo, tem um menino da periferia que está aprendendo na prática como trabalhar com o audiovisual criando conteúdos para a emissora BusTV, que atua dentro dos ônibus em várias cidades do Brasil. Um case do núcleo é o site Do lado de cá, que criamos há dois anos, e é considerado o ‘Uol da periferia’ e que aborda assuntos sobre o cotidiano e o universo do entretenimento popular. Além disso, algo muito bacana que tem acontecido é que muitos professores me contatam para dizer que estão o usando o site em sala de aulas, para trabalhar literatura ou música com os alunos.
Assista o início do documentário “A Vida do Lado de Cá”:
[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=bGocKPzn7F4[/youtube]



