Nos anos 70, Estela Barnes de Carlotto era uma diretora de escola primária e mãe de uma família de classe média, na Argentina. Laura, sua filha, estava grávida quando foi presa. O regime militar manteve Laura viva durante a gestação e entregou o bebê a uma família adotiva após o nascimento. Situações como essa aconteceram com cerca de 500 crianças. Hoje presidente das Associação Avós da Plaza de Mayo, Estela esteve em Brasília, onde proferiu uma palestra emocionante, na noite de segunda-feira 19, no auditório Dois Candangos da Universidade de Brasília.
De acordo com relatos de ex-companheiros de cela de sua filha, exilados no Brasil, Estela tem um neto. “Quando falo para jovens, penso que um deles poderia ser meu neto. Ele tem 33 anos”, disse durante o encontro.
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A Associação Avós da Plaza de Mayo estão entre os movimentos mais importantes para rever filhos e netos desaparecidos durante a ditadura militar argentina, que durou de 1976 a 1983, quando cerca de 30 mil pessoas de todas as idades e classes sociais desapareceram. “Esse não é um tema da Argentina. É um tema mundial. Nossos filhos ousaram pensar diferente. Desde então temos que lidar com a burocracia e com mentiras para encontrar nossos parentes”, lamentou. Até hoje, 105 casos como o de Estela já foram resolvidos com testes de DNA, graças à iniciativa das avós.
Estela explica que a série de palestras que está proferindo pela América do Sul tem a intenção de incentivar a juventude a questionar e fortalecer as mulheres. As atividade foram viabilizadas em conjunto pela Universidade de Brasília, a Embaixada da Argentina, a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal e a Secretaria de Cultura do Distrito Federal. O reitor, José Geraldo de Sousa Junior, esteve representado pela decana de Assuntos Comunitários, Carolina Santos.
Segundo Juan Antonio Barreto, segundo secretário da Embaixada da Argentina, o encontro é muito importante. “A sociedade argentina tem total disposição para ajudar no processo de revisão do passado, que começa a acontecer no Brasil. As entidades da sociedade civil argentinas estão ansiosas para contribuir, desde que o governo brasileiro nos solicite”, analisou.
(UNB)



