{"id":63,"date":"2024-10-09T14:04:48","date_gmt":"2024-10-09T17:04:48","guid":{"rendered":"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/?post_type=reportagem&#038;p=63"},"modified":"2024-10-09T14:44:50","modified_gmt":"2024-10-09T17:44:50","slug":"mariana-belmontracismo-ambiental-e-reflexo-da-violacao-historica-da-escravidao","status":"publish","type":"reportagem","link":"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/reportagens\/mariana-belmontracismo-ambiental-e-reflexo-da-violacao-historica-da-escravidao\/","title":{"rendered":"Mariana Belmont: &#8220;Racismo Ambiental \u00e9 reflexo da viola\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da escravid\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<h3 style=\"font-size:18px\">Em entrevista, a jornalista e ativista ambiental Mariana Belmont explica o significado do termo racismo ambiental e como as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o-brancas s\u00e3o mais atingidas pelos efeitos da crise clim\u00e1tica no Brasil. <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\" style=\"font-size:15px\"><em><mark style=\"background-color:#000000\" class=\"has-inline-color has-white-color\">Reportagem: Carol Scorce | Edi\u00e7\u00e3o: Tory Helena <\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\">\n<pre class=\"wp-block-preformatted has-white-color has-text-color has-background\" style=\"background:linear-gradient(180deg,rgb(99,51,87) 0%,rgb(219,26,107) 100%)\"><strong>Resumo: <\/strong>Em entrevista, a jornalista, ativista ambiental e autora do livro \"Racismo Ambiental e Emerg\u00eancia Clim\u00e1tica no Brasil\", Mariana Belmont,  analisa como as desigualdades raciais agravam os efeitos da crise clim\u00e1tica para as pessoas n\u00e3o-brancas. &nbsp; <\/pre>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column\">\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"366\" src=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Logo-Principal-1024x366.png\" alt=\"Logo do Especial Racismo Ambiental e Inf\u00e2ncias\" class=\"wp-image-70\" srcset=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Logo-Principal-1024x366.png 1024w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Logo-Principal-300x107.png 300w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Logo-Principal-768x274.png 768w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Logo-Principal.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica global impactar\u00e1 a todos &#8211; mas os efeitos mais nocivos ser\u00e3o sentidos mais gravemente pelos mais vulnerabilizados. Em especial, popula\u00e7\u00f5es negras, perif\u00e9ricas, ind\u00edgenas e tradicionais est\u00e3o mais expostas \u00e0s consequ\u00eancias do desequil\u00edbrio do clima e aos eventos clim\u00e1ticos extremos extremos.&nbsp;Essa distor\u00e7\u00e3o \u00e9 efeito do <strong><a href=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/glossario\/racismo-ambiental\/\">racismo ambiental<\/a><\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leia + Como o racismo ambiental opera na crise clim\u00e1tica <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito surgiu nos Estados Unidos, influenciado pelas lutas dos direitos civis no contexto da igualdade racial. A discuss\u00e3o nasce na perspectiva das desigualdades de impactos ambientais que recaem sobre as popula\u00e7\u00f5es racializadas e socialmente vulnerabilizadas, e ganha corpo para a perspectiva geogr\u00e1fica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Racismo-Ambiental-1024x683.jpg\" alt=\"Racismo Ambiental\" class=\"wp-image-68\" srcset=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Racismo-Ambiental-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Racismo-Ambiental-300x200.jpg 300w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Racismo-Ambiental-768x512.jpg 768w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/Racismo-Ambiental.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Alagamento no Rio de Janeiro (RJ): territ\u00f3rios ocupados por pessoas n\u00e3o-brancas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos extremos clim\u00e1ticos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ou seja, o impacto \u00e9 na vida das pessoas, mas ele ocorre no territ\u00f3rio, onde as pessoas trabalham, moram, se deslocam, professam sua f\u00e9 e usufruem do lazer. O termo foi cunhado pelo ativista <strong>Benjamin Chavis<\/strong> na d\u00e9cada de 1980, durante protestos por justi\u00e7a ambiental no estado da Carolina do Norte, nos EUA. Os manifestantes eram contr\u00e1rios \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de um aterro sanit\u00e1rio para res\u00edduos t\u00f3xicos em um territ\u00f3rio majoritariamente negro.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o debate sobre racismo ambiental tem aumentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mobilizado especialmente pelo movimento negro no dom\u00ednio das discuss\u00f5es da crise clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o, que atinge especialmente crian\u00e7as negras, ind\u00edgenas e quilombolas, levou mais de 220 entidades da sociedade civil a assinarem um manifesto contra o racismo ambiental na COP 26, em 2021. Na ocasi\u00e3o, a Coaliz\u00e3o Negra por Direitos lembrou que a crise clim\u00e1tica \u00e9 tamb\u00e9m humanit\u00e1ria e tem impacto direto na vida das popula\u00e7\u00f5es negras, quilombolas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo Brasil, a maioria populacional \u00e9 negra e representa, hoje, 56% da popula\u00e7\u00e3o. Negar o racismo ambiental \u00e9 negar que o Estado brasileiro \u00e9 racista. \u00c9 negar a realidade da vida nas periferias das grandes cidades, o aumento da fome. \u00c9 negar a viola\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais de comunidades, territ\u00f3rios quilombolas e terras ind\u00edgenas. \u00c9 negar a hist\u00f3ria de urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e suas profundas desigualdades territoriais\u201d, afirmou a Coaliz\u00e3o no documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mariana Belmont, o racismo ambiental (ou racismo clim\u00e1tico) \u00e9 consequ\u00eancia direta do legado da escravid\u00e3o e das desigualdades raciais no Brasil.  <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/A-jornalista-e-ativista-ambiental-Mariana-Belmont-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-67\" srcset=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/A-jornalista-e-ativista-ambiental-Mariana-Belmont-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/A-jornalista-e-ativista-ambiental-Mariana-Belmont-300x200.jpg 300w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/A-jornalista-e-ativista-ambiental-Mariana-Belmont-768x512.jpg 768w, https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/A-jornalista-e-ativista-ambiental-Mariana-Belmont.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Mariana Belmont \u00e9 autora do livro &#8220;Racismo Ambiental e Emerg\u00eancia Clim\u00e1tica no Brasil&#8221;. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;O racismo ambiental \u00e9 reflexo da viola\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de um povo escravizado por 400 anos e de uma sociedade encabe\u00e7ada por uma elite branca e supremacista, que se organizou para manter esses corpos \u00e0 margem. Sim, a estrutura social e financeira brasileira \u00e9 racista. As zonas de sacrif\u00edcio racial incluem territ\u00f3rios ind\u00edgenas, quilombolas, e est\u00e3o diretamente relacionados \u00e0 extra\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica racista que ocorreu durante a Era Colonial, pela qual as pot\u00eancias coloniais n\u00e3o foram responsabilizadas&#8221;, analisa a jornalista, que \u00e9 ativista de movimentos ambientais e perif\u00e9ricos.  &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Parelheiros, no extremo sul da cidade de S\u00e3o Paulo (SP), Mariana trabalha com articula\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o para pol\u00edticas p\u00fablicas no tema do racismo ambiental.&nbsp;Foi diretora de Clima e Cidade no Instituto de Refer\u00eancia Negra Peregum, e \u00e9 colunista do portal G\u00eanero e N\u00famero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi editora convidada da Revista &#8220;Di\u00e1logos Socioambientais: Racismo Ambiental&#8221; da Universidade Federal do ABC (UFABC), \u00e9 organizadora do livro \u201cRacismo Ambiental e Emerg\u00eancias Clim\u00e1ticas no Brasil\u201d (Oralituras, 2023), e faz parte do Conselho da Nuestra America Verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversamos com Mariana sobre como a injusti\u00e7a ambiental se incorpora no contexto brasileiro e impacta nos direitos da popula\u00e7\u00e3o. Confira:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o e Territ\u00f3rio: Como devemos definir o que \u00e9 racismo ambiental e racismo clim\u00e1tico?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mariana Belmont: <\/strong>Quando se fala de injusti\u00e7a ambiental, partimos da ideia de que existe um direito sendo violado, mas essa defini\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe para quem tem o privil\u00e9gio de estar em um Estado que garante esses direitos. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante muito tempo, o racismo foi tirado de cena na quest\u00e3o ambiental: era uma quest\u00e3o de justi\u00e7a ou injusti\u00e7a ambiental. O racismo ambiental, ent\u00e3o, fala sobre como essas injusti\u00e7as ambientais privam a popula\u00e7\u00e3o negra e os povos ind\u00edgenas de humanidade e direitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O termo racismo ambiental descreve a discrimina\u00e7\u00e3o institucionalizada envolvendo \u201cpol\u00edticas, pr\u00e1ticas ou diretrizes ambientais que afetam ou prejudicam (intencionalmente ou n\u00e3o) indiv\u00edduos, grupos ou comunidades de forma diferenciada com base em ra\u00e7a ou cor\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o devemos entender como uma discrimina\u00e7\u00e3o que atinge outros povos e etnias, e n\u00e3o somente as pessoas negras?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas de ascend\u00eancia africana e asi\u00e1tica, povos ind\u00edgenas, ciganos, refugiados, migrantes, ap\u00e1tridas e outros grupos raciais e etnicamente marginalizados s\u00e3o todos afetados pelo racismo ambiental, que deve ser abordado o m\u00e1ximo poss\u00edvel sob o direito internacional dos Direitos Humanos.<br><br>A Declara\u00e7\u00e3o e o Plano de A\u00e7\u00e3o de Durban, documentos provenientes da Confer\u00eancia de Durban contra o Racismo em 2001, fazem refer\u00eancia direta ao meio ambiente. Eu recomendo a leitura. L\u00e1, h\u00e1 22 anos, o debate ambiental j\u00e1 estava diretamente relacionado \u00e0 sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es negras e ao processo de tomada de decis\u00e3o. Naquela \u00e9poca, o documento macro de refer\u00eancia era aquele acordado, negociado e aprovado durante Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio-Ambiente e Desenvolvimento ocorrida no Rio de Janeiro, em 1992 (Rio 92) \u2013 ou seja, o termo \u201cmudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221; ainda n\u00e3o havia sido incorporado. Finalmente, para o bem da hist\u00f3ria e do ativismo, o conceito racismo ambiental entrou na pauta brasileira justamente ap\u00f3s aus\u00eancias de debate espec\u00edfico no processo de prepara\u00e7\u00e3o da Rio 92.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E como ele se estrutura no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O racismo ambiental \u00e9 reflexo da viola\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de um povo escravizado por 400 anos e de uma sociedade encabe\u00e7ada por uma elite branca e supremacista que se organizou para manter esses corpos \u00e0 margem. Sim, a estrutura social e financeira brasileira \u00e9 racista. As zonas de sacrif\u00edcio racial incluem territ\u00f3rios ind\u00edgenas, quilombolas, e est\u00e3o diretamente relacionados \u00e0 extra\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica racista que ocorreu durante a era colonial, pela qual as pot\u00eancias coloniais n\u00e3o foram responsabilizadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o racismo ambiental afeta os direitos das crian\u00e7as e adolescentes, em especial os negros, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricos, no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos e perif\u00e9ricos n\u00e3o escolheram os lugares considerados de risco para viver, mas s\u00e3o for\u00e7ados e jogados para regi\u00f5es de risco, ou t\u00eam seus territ\u00f3rios transformados em \u00e1reas de risco, distanciados de suas capacidades e compet\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es produtivas.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Embora eventos clim\u00e1ticos extremos impactem a todos, \u200bquem paga a conta est\u00e1 nos territ\u00f3rios sem seguran\u00e7a clim\u00e1tica. \u200bEle \u00e9 composto majoritariamente pela popula\u00e7\u00e3o negra, quilombola, pesqueira, perif\u00e9rica, ind\u00edgena, ribeirinha e infantil. Vale lembrar que esses mesmos grupos populacionais s\u00e3o sub-representados em espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o e de estrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais dados ou fatos not\u00f3rios nos ajudam a explicitar essa quest\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Analisando os dados do Censo 2022, vemos que 83,5% das pessoas brancas t\u00eam esgotamento sanit\u00e1rio considerado adequado, enquanto o n\u00famero diminui para 75% das pessoas pretas, 68,9% das pardas e 29,9% das ind\u00edgenas. A regi\u00e3o Norte merece especial aten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, pois dos 78% dos moradores que se declaram pretos e pardos,&nbsp; s\u00f3 46,4% \u2013 menos da metade dos seus 17,2 milh\u00f5es de habitantes \u2013 t\u00eam saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<p>Regi\u00f5es sem saneamento adequado podem virar focos de doen\u00e7as transmitidas a partir da \u00e1gua contaminada ou de vetores como ratos, baratas e moscas, que s\u00e3o atra\u00eddos pelo esgoto a c\u00e9u aberto e pela disposi\u00e7\u00e3o inadequada de res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Censo 2022 aponta, ainda, que cerca de 9,1% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso \u00e0 coleta direta ou indireta de res\u00edduos. Entre os estados, o Maranh\u00e3o tem a pior taxa, com cerca de 30% dos moradores sem coleta. J\u00e1 entre as regi\u00f5es, a cobertura mais baixa \u00e9 o Norte do pa\u00eds (21,5%).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De que maneira o territ\u00f3rio e educa\u00e7\u00e3o podem ser incorporados neste debate?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u200bEspa\u00e7os educativos devem fazer parte da luta pelo combate ao racismo ambiental. S\u00f3 teremos espa\u00e7os mais solid\u00e1rios, justos e seguros para as crian\u00e7as e adolescentes se os territ\u00f3rios tiverem seguran\u00e7a para a vida de todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De que modo \u00e9 poss\u00edvel abordar o racismo ambiental dentro de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista nas escolas?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u200bEu penso que deveria estar no curr\u00edculo. As escolas precisam encarar os problemas estruturais da sociedade. Especialmente para que exista senso cr\u00edtico para defender pol\u00edticas p\u00fablicas de combate ao racismo. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o urgente e transversal, que envolve educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a p\u00fablica e dignidade.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, a jornalista e ativista ambiental Mariana Belmont explica o significado do termo racismo ambiental e como as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o-brancas s\u00e3o mais atingidas pelos efeitos da crise clim\u00e1tica no Brasil. <\/p>\n","protected":false},"featured_media":68,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.13 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mariana Belmont: &quot;Racismo Ambiental \u00e9 reflexo da viola\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da escravid\u00e3o&quot; - Especial Racismo Ambiental e Inf\u00e2ncias | Educa\u00e7\u00e3o e Territ\u00f3rio<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Jornalista e ativista ambienta explica o que \u00e9 racismo ambiental e como as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o-brancas s\u00e3o mais atingidas pela crise clim\u00e1tica.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/educacaoeterritorio.org.br\/especiais\/racismo-ambiental-e-infancias\/reportagens\/mariana-belmontracismo-ambiental-e-reflexo-da-violacao-historica-da-escravidao\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Mariana Belmont: &quot;Racismo Ambiental \u00e9 reflexo da viola\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da escravid\u00e3o&quot; - 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